sábado, 5 de setembro de 2009

CRÓNICAS DE ALLARYIA de FILIPE FARIA


"Olha mais uma saga de fantasia que copia todos os estereótipos do Tolkien!" talvez pensem ao se depararem com um qualquer volume das "Crónicas de Allaryia" numa qualquer livraria. Bem, se é verdade que Filipe Faria foi extremamente inspirado pela Terra Média e pelo universo Tolkiano, também é bem verdade que o jovem autor conseguiu assumir um certo grau de identidade própria na sua escrita. Senhor das suas ideias, Faria apresentou-se ao mundo literário com "A Manopla de Karasthan" o primeiro volume das Crónicas de Allaryia, que cedo viriam a garantir à Editorial Presença mais um sucesso. Começando por uma breve apresentação do mundo em questão, somos brindados com uma verdadeira bíblia do mundo de Allaryia, descrevendo minuciosamente o começo do universo pela mão de três entidades que, sendo distinctas, se complementavam. É através de um relato de experiências falhadas, erros e inveja que nos apercebemos da dimensão do que está para vir nas páginas seguintes. "A manopla de Karasthan" introduz-nos ao mundo de sete personagens diferentes: Aewyre Thoryn e Allumno da Gema Vermelha, Príncipe de Ul-Thoryn e seu respectivo concelheiro; Lhiannah Syndar e Worick de Tharamon, filha ilegítima do regente de Vaul-Syrith e seu respectivo protector; Taislin, um pequeno burrik (seres diminitos criados pela divindade mais brincalhona, que agiam de forma despreocupada e furtiva); Quenestil, um eahan da montanha (daremos a esta espécia o carinhoso título de "Os elfos de Faria"); Babaki, um antroleo (uma raça primordial e animalesca, como um homem-macaco); e, mais tarde na história, Slayra, uma eahnnoir (eahan negros, perversos e deturpados, inclusive a nível sexual). São muitas as aventuras e desventuras deste grupo que mescla personagens tão diferentes como as referidas. É, contudo, na riqueza das personagens e na relação entre si que reside o segredo para o sucesso de Filipe Faria. Um brilhantismo notável. Toda a história gira em volta da fuga de Aewyre com a espada dos reis, Ancalach, usada pelo seu pai, o mítico Aezrel Thoryn, na mítica batalha do bem contra o mal (a Guerra da Hecatombe), e a busca pelo seu progenitor desaparecido (presumido morto). Através de várias demandas, este estranho grupo vai enfrentar as forças do mal com o intuito de chegar a Asmodeon, onde o seu pai desapareceu em combate, lutando com Seltor, o flagelo de Allaryia (vamos chamar-lhe - carinhosamente - O Belzebu de Allaryia!). Podia perder a minha tarde a resumir toda a história das crónicas, mas prefiro antes só levantar uma pontinha do véu, e incentivar-vos a todos a ler esta obra magnífica que, apesar de ser erigida a partir de ideias já antes utilizadas, explora a negritude do ser humano de forma mais séria, dando maior importância às mulheres no enredo, e não ocultando o sexo, quer seja o suave acto de amor entre Slayra e Quenestil, ou uma noite de sexo selvagem entre Lhiannah e Aewyre embriagados. Se acham que são verdadeiros fãs de fantasia, apoiem este autor luso e comecem já a ler!

CRÓNICAS DE ALLARYIA

Autor:
Filipe Faria

Editora:
Editorial Presença (Colecção Via Láctea)

Livros: 6 (está planeado o lançamento de um sétimo)
Títulos:

1. A Manopla de Karasthan (2002)
2. Os Filhos do Flagelo (2002)

3. Marés Negras (2003)

4. A Essência da Lâmina (2005)

5. Vagas de Fogo (2007)

6. O Fado da Sombra (2009)


Conclusões
: Filipe Faria construi um mundo rico em fantasia e personagens bem desenvolvidos que, para os fãs de fantástico, veio preencher a necessidade de high fantasy 100% português.


Prós
: Narrativa fluida; cruzamento de histórias de diferentes personagens; retracto psicológico e social extremamente bem deliniado; ausência de tabus; um universo construído de forma lógica.

Contras
: A sombra de Tolkien recai sempre sobre as criações de Faria, o que não é necessariamente mau, dado a qualidade do autor referido.

Veredicto Final
(de 0-10): 9.0


"Crónicas de Allaryia" no site da Editorial Presença:
http://www.presenca.pt/search.ud121?trigger_pre_event_0=search_result&trigger_event_0=print_search_result&sheet_page=yes&search_attr=serie&search_attr_value=As+Cr%F3nicas+de+Allaryia

E-mail do Autor:
allaryia@gmail.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

The BLACK DAHLIA MURDER - Deflorate (2009)

Esta será a primeira apreciação feita aqui no blog!

Antes de mais, deixem-me apresentar-vos um pouco da história dos Black Dahlia Murder. Para quem não sabe, estes meninos norte-americanos praticam uma mescla de death metal melódico e o malfadado movimento metal/deathcore, de uma forma irrepreensível. Lançaram o seu primeiro longa-duração em 2003 - Unhallowed, ainda uma sombra do que o seu som viria a atingir. Com "Miasma" (2005) elevaram a qualidade da sua música e foi mesmo em 2007 que "Nocturnal" lhes retirou a névoa "deathcore" que persistia em assombrar a sua fama. Pois bem, os rapazinhos têm novo álbum, Deflorate, editado pela famosa Metal Blade.

Logo no começo da primeira faixa - Black Valor - Os TBDM mostram-nos de que são feitos, e é através de uma letal injecçao de brutalidade melódica e um blastbeat frenético que os nossos ouvidos são assolados por um instincto primitivo que, quer queiramos quer não, nos conduz a um irredutível headbang selvagem. "Necropolis" e "A Selection Unnatural" e "Dinounced, Disgraced" seguem a mesma linha de acção, e apesar da previsibilidade que isso acarreta, permite ao ouvinte um maior tempo de... hmmm... chamemos-lhe "berserk"! E é na faixa 5 que reside um dos momentos altos de "Deflorate". "Christ Deformed" começa com um riff cheio de groove, que logo parte para um blastbeat infernal, mas é a velocidade de bpm's ligeiramente mais lenta e as vocalizações guturais no ínicio que contrastam com as, até agora sempre presentes, velocidade sobrehumana e vocalizações agudas. Os cerca de 2 minutos de "Death Panorama" são suficientes para manter o interesse do ouvinte. O álbum prossegue com "Throne of Lunacy", "Eyes of Thousand" e "That Which Erodes the Most Tender", e é no final desta última que se chega à conclusão que nenhuma das músicas - com excepção de "Christ Deformed" - nos ficou na cabeça, e que quando nos formos deitar só ficará a estranha (e por vezes desnecessária!) voz de Trevor Strnd a assombrar o nosso sono. Bem, felizmente, a décima e última faixa do álbum, "I Will Return", é um bujardo memorável desde o início até ao fim dos seus cinco minutos e meio, e é de uma forma potentíssima que nos dá o fechanço do álbum.

Conclusões: De "Nocturnal" (2007) para "Deflorate" (2009) os The Black Dahlia Murder evoluiram muito a sua sonoridade, e revelam aqui um álbum mais maduro. Longe da sombra que o movimento deathcore lhes causava, mostram-se seguros naquilo que fazem: metal rápido e técnico.

Prós: Um álbum capaz de nos violar pelos ouvidos, combustivel para o headbang e o moshpit!
Contras: Falta de músicas memoráveis.

VEREDICTO FINAL (de 0-10): 7.5

Myspace da banda:
http://www.myspace.com/blackdahliamurder

1. Black Valor - 3:09
2. Necropolis - 3:30
3. A Selection Unnatural - 2:50
4. Denounced, Disgraced - 3:43
5. Christ Deformed - 3:30
6. Death Panorama - 1:54
7. Throne Of Lunacy - 3:34
8. Eyes Of Thousand - 3:13
9. That Which Erodes The Most Tender - 3:01
10. I Will Return - 5:34

Se desejarem fazer download do álbum de forma rápida, fica aqui um link hospedado no mediafire (nota: por favor, se gostarem do que ouviram, comprem o cd original assim que puderem; se não vos agradou, eliminem do computador):

DOWNLOAD de DEFLORATE (2009) em MEDIAFIRE

Bem-Vindos ao Anime, High Fantasy e Heavy Metal


Bem-vindos a este blogue. Este é um pequeno projecto que surge como uma forma de expansão da cultura na língua portuguesa. Esta página tem como objectivo explorar três áreas distintas da cultura: Anime e mangá, literatura (principalmente high fantasy), e música (com especial destaque para o heavy metal e seus sub-géneros). Tentarei sempre, como redactor, apresentar novidades nos três ramos, fazer apreciações a novas obras e até disponibilizar links para download directo na internet (links estes que já estão hospedados, não por mim, mas por qualquer outra pessoa). Espero que gostem de ler estes textos e que, acima de tudo, vos seja minimamente útil! Stay True to Yourself! De forma animada, fantástica e pesada me despeço... O Elefante Voador!