"Olha mais uma saga de fantasia que copia todos os estereótipos do Tolkien!" talvez pensem ao se depararem com um qualquer volume das "Crónicas de Allaryia" numa qualquer livraria. Bem, se é verdade que Filipe Faria foi extremamente inspirado pela Terra Média e pelo universo Tolkiano, também é bem verdade que o jovem autor conseguiu assumir um certo grau de identidade própria na sua escrita. Senhor das suas ideias, Faria apresentou-se ao mundo literário com "A Manopla de Karasthan" o primeiro volume das Crónicas de Allaryia, que cedo viriam a garantir à Editorial Presença mais um sucesso. Começando por uma breve apresentação do mundo em questão, somos brindados com uma verdadeira bíblia do mundo de Allaryia, descrevendo minuciosamente o começo do universo pela mão de três entidades que, sendo distinctas, se complementavam. É através de um relato de experiências falhadas, erros e inveja que nos apercebemos da dimensão do que está para vir nas páginas seguintes. "A manopla de Karasthan" introduz-nos ao mundo de sete personagens diferentes: Aewyre Thoryn e Allumno da Gema Vermelha, Príncipe de Ul-Thoryn e seu respectivo concelheiro; Lhiannah Syndar e Worick de Tharamon, filha ilegítima do regente de Vaul-Syrith e seu respectivo protector; Taislin, um pequeno burrik (seres diminitos criados pela divindade mais brincalhona, que agiam de forma despreocupada e furtiva); Quenestil, um eahan da montanha (daremos a esta espécia o carinhoso título de "Os elfos de Faria"); Babaki, um antroleo (uma raça primordial e animalesca, como um homem-macaco); e, mais tarde na história, Slayra, uma eahnnoir (eahan negros, perversos e deturpados, inclusive a nível sexual). São muitas as aventuras e desventuras deste grupo que mescla personagens tão diferentes como as referidas. É, contudo, na riqueza das personagens e na relação entre si que reside o segredo para o sucesso de Filipe Faria. Um brilhantismo notável. Toda a história gira em volta da fuga de Aewyre com a espada dos reis, Ancalach, usada pelo seu pai, o mítico Aezrel Thoryn, na mítica batalha do bem contra o mal (a Guerra da Hecatombe), e a busca pelo seu progenitor desaparecido (presumido morto). Através de várias demandas, este estranho grupo vai enfrentar as forças do mal com o intuito de chegar a Asmodeon, onde o seu pai desapareceu em combate, lutando com Seltor, o flagelo de Allaryia (vamos chamar-lhe - carinhosamente - O Belzebu de Allaryia!). Podia perder a minha tarde a resumir toda a história das crónicas, mas prefiro antes só levantar uma pontinha do véu, e incentivar-vos a todos a ler esta obra magnífica que, apesar de ser erigida a partir de ideias já antes utilizadas, explora a negritude do ser humano de forma mais séria, dando maior importância às mulheres no enredo, e não ocultando o sexo, quer seja o suave acto de amor entre Slayra e Quenestil, ou uma noite de sexo selvagem entre Lhiannah e Aewyre embriagados. Se acham que são verdadeiros fãs de fantasia, apoiem este autor luso e comecem já a ler!
CRÓNICAS DE ALLARYIA
Autor: Filipe Faria
Editora: Editorial Presença (Colecção Via Láctea)
Livros: 6 (está planeado o lançamento de um sétimo)
Títulos:
1. A Manopla de Karasthan (2002)
2. Os Filhos do Flagelo (2002)
3. Marés Negras (2003)
4. A Essência da Lâmina (2005)
5. Vagas de Fogo (2007)
6. O Fado da Sombra (2009)
Conclusões: Filipe Faria construi um mundo rico em fantasia e personagens bem desenvolvidos que, para os fãs de fantástico, veio preencher a necessidade de high fantasy 100% português.
Prós: Narrativa fluida; cruzamento de histórias de diferentes personagens; retracto psicológico e social extremamente bem deliniado; ausência de tabus; um universo construído de forma lógica.
Contras: A sombra de Tolkien recai sempre sobre as criações de Faria, o que não é necessariamente mau, dado a qualidade do autor referido.
Veredicto Final (de 0-10): 9.0
"Crónicas de Allaryia" no site da Editorial Presença:
http://www.presenca.pt/search.ud121?trigger_pre_event_0=search_result&trigger_event_0=print_search_result&sheet_page=yes&search_attr=serie&search_attr_value=As+Cr%F3nicas+de+Allaryia
E-mail do Autor:
allaryia@gmail.com
CRÓNICAS DE ALLARYIA
Autor: Filipe Faria
Editora: Editorial Presença (Colecção Via Láctea)
Livros: 6 (está planeado o lançamento de um sétimo)
Títulos:
1. A Manopla de Karasthan (2002)
2. Os Filhos do Flagelo (2002)
3. Marés Negras (2003)
4. A Essência da Lâmina (2005)
5. Vagas de Fogo (2007)
6. O Fado da Sombra (2009)
Conclusões: Filipe Faria construi um mundo rico em fantasia e personagens bem desenvolvidos que, para os fãs de fantástico, veio preencher a necessidade de high fantasy 100% português.
Prós: Narrativa fluida; cruzamento de histórias de diferentes personagens; retracto psicológico e social extremamente bem deliniado; ausência de tabus; um universo construído de forma lógica.
Contras: A sombra de Tolkien recai sempre sobre as criações de Faria, o que não é necessariamente mau, dado a qualidade do autor referido.
Veredicto Final (de 0-10): 9.0
"Crónicas de Allaryia" no site da Editorial Presença:
http://www.presenca.pt/search.ud121?trigger_pre_event_0=search_result&trigger_event_0=print_search_result&sheet_page=yes&search_attr=serie&search_attr_value=As+Cr%F3nicas+de+Allaryia
E-mail do Autor:
allaryia@gmail.com


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